A Clínica Peralles, do nutricionista Lucas Peralles, trata a passagem da fase de perda para a fase de ganho como um dos momentos mais delicados de todo o acompanhamento, não como uma simples troca de objetivo no calendário. É importante avaliar critérios específicos antes de autorizar essa mudança de fase e recusar liberar o paciente só porque um prazo interno chegou ao fim.
Liberar essa virada cedo demais costuma comprometer meses de trabalho anterior. O paciente troca o foco para ganho de massa antes de consolidar hábitos que sustentam o resultado já alcançado, e isso reabre espaço para oscilações que pareciam resolvidas havia semanas. O resultado, nesses casos, tende a regredir antes mesmo de a nova fase avançar de verdade.
Os sinais de que a fase de perda ainda não terminou
Nem todo platô no peso significa que o corpo esgotou a resposta ao processo. Muitas vezes, o platô aparece porque o comportamento ainda não estabilizou, mesmo com o número na balança já favorável e os exames dentro do esperado. Um paciente que ainda negocia cada refeição ou que se sente ansioso diante de eventos sociais permanece, do ponto de vista comportamental, na fase de perda, independentemente do peso já eliminado.
Depender de mensagens diárias só para manter a rotina em pé é outro sinal de que a base comportamental ainda não se firmou de verdade. Avançar para o ganho nesse momento tende a reforçar padrões que ainda não foram resolvidos, em vez de superá-los de fato. Lucas Peralles evita empurrar essa virada só porque o paciente insiste ou porque o espelho já mostra outro corpo.
O que a Clínica Peralles avalia antes de autorizar a fase de ganho?
A equipe observa consistência ao longo de semanas seguidas, não apenas em um exame pontual ou em uma consulta isolada. Entram nessa avaliação rotina alimentar estável, sono organizado e capacidade de lidar com imprevistos sem recorrer a extremos, além da forma como o paciente reage a uma semana fora do controle.

Lucas Peralles comenta que o critério mais importante é a autonomia comportamental, e não o número exato na balança. Um paciente pode estar magro e ainda assim despreparado para a fase seguinte, se o resultado depender de supervisão constante para se manter de pé em situações do dia a dia.
Por que liberar cedo demais compromete o resultado seguinte?
A fase de ganho exige margem para comer mais, treinar mais pesado e tolerar variações no peso sem entrar em pânico. Sem essa base comportamental, qualquer flutuação natural do processo é interpretada como retrocesso, e não como parte esperada de qualquer fase de construção muscular.
Muitos pacientes chegam a essa etapa sem saber diferenciar ganho de massa de simples aumento de gordura, e essa confusão sozinha já basta para gerar ansiedade desnecessária. Lucas Peralles expõe um padrão comum nesses casos, que é o paciente abandonar a fase de ganho nas primeiras semanas por medo de recuperar gordura, mesmo quando o ganho de peso fazia parte do plano combinado desde o início da conversa.
O que muda no comportamento durante a fase de ganho?
A fase de ganho testa maturidade emocional tanto quanto testa o físico. O paciente precisa aceitar variações no espelho e na balança sem associar isso a fracasso, o que exige repertório construído durante a fase anterior, não uma decisão tomada de última hora.
Quando essa base já existe, a fase de ganho costuma ser mais tranquila do que a de perda, porque o paciente já aprendeu a lidar com desconforto sem desistir do processo inteiro. Lucas Peralles considera esse amadurecimento o verdadeiro indicador de que a liberação para o ganho aconteceu no momento certo, e não apenas na data prevista em algum cronograma.