Nubank lidera resultado do setor puxado por crédito e base de clientes, mas fintechs enfrentam alta da inadimplência em meio ao crescimento acelerado
O setor de bancos digitais e fintechs brasileiras fechou o segundo trimestre de 2026 com um resultado histórico. Juntas, empresas como Nubank, XP, Stone, PagBank, Inter, PicPay e Agibank somaram lucro líquido total de R$ 8,94 bilhões, um avanço de 15,3% em relação ao trimestre anterior. O número reforça a consolidação desse modelo de negócio como parte estrutural, e não mais alternativa, do sistema financeiro brasileiro.
O desempenho que colocou o Nubank em outro patamar
O Nubank foi o grande destaque do período, registrando lucro recorde de R$ 5,49 bilhões no trimestre, equivalente a cerca de US$ 1,1 bilhão. Trata-se do primeiro trimestre da história da companhia com ganho acima da marca de um bilhão de dólares, um crescimento de 49% em relação ao mesmo período de 2025, desconsiderando efeitos cambiais. Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, o avanço foi de 17%.
O principal indicador de rentabilidade do setor, o retorno sobre o patrimônio líquido, chegou a 33% no Nubank, ante 28% um ano antes e 29% no trimestre imediatamente anterior. É um dos maiores níveis registrados entre instituições financeiras no país, resultado direto da expansão da carteira de crédito e da mudança de composição da receita em direção a produtos de maior margem.
A receita bruta da companhia somou US$ 5,9 bilhões no trimestre, alta de 39% na comparação anual. Já a receita financeira líquida de juros atingiu US$ 3,7 bilhões, avanço de 9% frente ao trimestre anterior. A margem financeira líquida, indicador que mede a rentabilidade das operações de crédito, subiu para 22,9%, contra 21,1% no primeiro trimestre e 18,8% um ano antes.
O CFO do Nubank, Rob Livingston, classificou o resultado como robusto ao mercado, atribuindo o desempenho à força do modelo de negócios do banco digital, com crescimento simultâneo de receita, lucro e manutenção sob controle da qualidade dos ativos de crédito. Já a base de clientes chegou a 139 milhões de pessoas, consolidando o Nubank como o maior banco digital não apenas do Brasil, mas também do México, mercado no qual soma 16 milhões de usuários.
Outras fintechs também entregaram números fortes
A XP registrou lucro de R$ 1,384 bilhão no período, praticamente triplicando o resultado do mesmo trimestre do ano anterior. A empresa também apresentou captação líquida de R$ 28 bilhões, o que evidencia apetite crescente por produtos financeiros entre investidores brasileiros, mesmo em um cenário no qual a rentabilidade média desses produtos tem diminuído.
A Stone fechou o trimestre com lucro de R$ 582,7 milhões, alta de 6,1% na comparação trimestral. Já o PagBank registrou R$ 576 milhões em lucro líquido, mantendo trajetória de crescimento estável, embora o ritmo de expansão da carteira de crédito da empresa tenha mostrado sinais de desaceleração no período analisado.
Tanto o Inter quanto o Nubank seguem apostando no crédito consignado como um dos principais motores de expansão de suas carteiras, enquanto PicPay e PagBank têm concentrado esforços na diversificação de produtos oferecidos, ampliando desde soluções de investimento até serviços voltados a pequenas e médias empresas.
O outro lado da moeda: inadimplência em alta
Apesar dos resultados robustos, o trimestre não foi isento de desafios para o setor. A inadimplência apresentou avanço entre as fintechs analisadas, um movimento que já era esperado diante do ritmo acelerado de concessão de crédito adotado por várias dessas instituições ao longo dos últimos trimestres.
O próprio Nubank sinalizou, em comunicações anteriores, uma expansão deliberada para segmentos de crédito de maior risco, o que ajuda a explicar tanto o avanço da margem financeira líquida quanto a atenção redobrada dos investidores em relação à qualidade dos ativos. A NIM ajustada ao risco da companhia, métrica que já considera o efeito da inadimplência, chegou a 12,4% no trimestre, ante 9,5% no período anterior, também o maior patamar já registrado pela instituição.
Analistas do mercado financeiro avaliam que o equilíbrio entre crescimento acelerado de carteira e controle de risco será o principal ponto de atenção para o setor nos próximos trimestres. A dinâmica exige gestão cuidadosa por parte das fintechs, que precisam continuar crescendo para justificar suas avaliações de mercado sem comprometer a qualidade dos ativos que sustentam essa expansão.
O que esperar para o restante do ano
O desempenho do segundo trimestre reforça a trajetória de amadurecimento do setor de bancos digitais no Brasil, que deixou de ser sinônimo apenas de crescimento de base de clientes para também apresentar resultados financeiros consistentes e comparáveis aos de instituições tradicionais.
Para o mercado, a combinação entre lucro recorde e inadimplência crescente resume o momento vivido pelas fintechs brasileiras: um setor que já provou sua capacidade de gerar rentabilidade em larga escala, mas que segue sob observação quanto à sustentabilidade desse crescimento no médio prazo, especialmente em um cenário de juros elevados e maior concorrência entre os próprios bancos digitais.
Fontes consultadas:
https://reportermaceio.com.br/fintechs-brasileiras-registram-lucro-de-r-894-bilhoes-no-segundo-trimestre-de-2026-impulsionadas-por-nubank-e-xp-mas-enfrentam-aumento-da-inadimplencia/
https://www.acessa.com/economia/2026/08/336842-nubank-tem-lucro-liquido-recorde-de-uss-11-bi-no-2tri-alta-de-49-ante-2tri-de-2025.html
https://international.nubank.com.br/pt-br/companhia/nu-holdings-ltd-divulga-resultados-financeiros-do-segundo-trimestre-de-2026/