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Nubank avança rumo a virar banco pleno no Brasil após pressão do Banco Central

Viola Marvani
Viola Marvani 2 de setembro de 2026
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Fintech já integra a Febraban e negocia licença bancária que deve sair ainda em 2026, movimento que reconfigura sua relação com o setor tradicional

O Nubank vive um dos momentos mais importantes de sua trajetória regulatória no Brasil. Depois de mais de uma década operando como instituição de pagamento, a fintech fundada por David Vélez caminha agora para se tornar oficialmente um banco, atendendo a uma exigência direta do Banco Central. A mudança não altera o dia a dia de quem usa o aplicativo roxo, mas representa uma reorganização profunda de como a empresa é vista pelo sistema financeiro nacional.

O que motivou a mudança regulatória

O ponto de partida foi a publicação da Resolução Conjunta nº 17, editada pelo Banco Central em conjunto com o Conselho Monetário Nacional. A norma passou a proibir que instituições sem autorização formal para atuar como banco utilizem os termos “banco” ou “bank” em sua comunicação com o público. Na prática, isso afeta diretamente empresas como o Nubank, que constrói sua marca em torno da ideia de banco digital sem, tecnicamente, possuir essa licença.

Segundo o diretor de Regulação do Banco Central, Gilneu Vivan, a medida busca evitar confusão entre os clientes. A avaliação da autarquia é que alguns modelos de negócio adotam nomenclatura que não corresponde ao tipo de autorização concedida, o que pode gerar risco tanto para o consumidor quanto para a estabilidade do sistema financeiro como um todo. O Banco Central estima que cerca de vinte instituições financeiras se enquadram nessa situação e precisarão se adaptar.

As empresas afetadas têm até 120 dias para apresentar um plano de adequação, detalhando os procedimentos que pretendem adotar e o cronograma de implementação. O prazo final para concluir a adaptação é de até um ano a partir da publicação da resolução, o que coloca 2026 como o período decisivo para que o Nubank finalize sua transição.

Como o Nubank pretende se adequar

De acordo com comunicado oficial da companhia, o caminho escolhido para atender à nova regra passa por incluir uma instituição bancária dentro do conglomerado Nu. Isso pode acontecer de duas formas: por meio de um pedido de autorização apresentado do zero ao Banco Central, ou pela aquisição de uma instituição que já possua a licença bancária necessária. A empresa ainda não confirmou publicamente qual das duas alternativas seguirá.

O que já está definido, segundo o Nubank, é que a marca e a identidade visual da empresa permanecerão exatamente como estão. A companhia reforça que a mudança tem caráter regulatório, sem qualquer impacto para os cerca de 110 milhões de clientes que possui atualmente no Brasil. Atualmente, o Nu opera com três licenças distintas: Instituição de Pagamento, Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento e Corretora de Títulos e Valores Mobiliários.

A CEO do Nubank no Brasil, Livia Chanes, destacou que a essência da empresa não muda com a nova licença. Segundo ela, a missão de simplificar a vida financeira dos clientes segue como prioridade, independentemente da categoria regulatória em que a instituição passa a se enquadrar junto ao Banco Central.

A entrada na Febraban e o novo momento com bancos tradicionais

Um dos sinais mais claros dessa transição veio em março, quando o Nubank foi aprovado por unanimidade para integrar a Federação Brasileira de Bancos, a Febraban. A decisão partiu de recomendação favorável do conselheiro Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, durante a primeira reunião ordinária da entidade em 2026. O movimento chama atenção porque, até pouco tempo atrás, a relação entre o Nubank e a federação dos grandes bancos era marcada por embates públicos.

Em dezembro do ano passado, a Febraban havia criticado publicamente declarações do CEO do Nubank sobre carga tributária e concorrência no setor financeiro. A entidade chegou a classificar a fintech como líder em juros e inadimplência ao rebater as afirmações de David Vélez. A aproximação recente, portanto, marca uma mudança de postura de ambos os lados, em um momento no qual o Nubank busca justamente se equiparar aos grandes bancos do ponto de vista regulatório.

Com a filiação, o Nubank passa a integrar instâncias deliberativas da Febraban, contribuindo em discussões sobre meios de pagamento instantâneo, prevenção a fraudes e inclusão financeira. A empresa segue vinculada a outras entidades do setor, como a Zetta, que reúne fintechs, a Associação Brasileira de Bancos e a Anbima, mantendo presença tanto no universo tradicional quanto no de tecnologia financeira.

O que muda na prática para o consumidor

Apesar de todo o processo regulatório, especialistas ouvidos por veículos especializados são unânimes em um ponto: a legislação brasileira não exige que bancos mantenham agências físicas para operar. Isso significa que, mesmo ao se tornar oficialmente um banco, o Nubank não deve abrir pontos de atendimento presencial, mantendo seu modelo cem por cento digital.

A principal mudança prática tende a ocorrer no campo tributário e regulatório. Bancos plenos costumam ter exigências mais rígidas de capital, governança e fiscalização em comparação a instituições de pagamento. Isso pode significar uma carga tributária diferente para o Nubank, ainda que a empresa afirme que sua solidez financeira e seus indicadores de liquidez não sofrerão alteração relevante com a mudança de categoria.

Para o cliente final, cartões, transferências via Pix, rendimento da caixinha e demais funcionalidades do aplicativo devem seguir funcionando normalmente durante todo o processo de transição. O Nubank tem reforçado, em suas comunicações oficiais, que qualquer mudança será conduzida de forma gradual e sem impacto na experiência de uso.

O episódio ilustra um movimento mais amplo do mercado financeiro brasileiro: a linha entre fintechs e bancos tradicionais tem ficado cada vez mais tênue, obrigando o regulador a atualizar as regras do jogo. Com mais de 110 milhões de clientes só no Brasil, o Nubank deixou de ser um desafiante para se tornar, na prática, parte estrutural do sistema financeiro nacional, o que torna sua adequação às normas do Banco Central um caso observado de perto por todo o setor.

Fontes consultadas:
https://finsidersbrasil.com.br/bancos-digitais/prestes-a-ter-licenca-de-banco-nubank-se-associa-a-febraban/
https://international.nubank.com.br/pt-br/companhia/nota-conjunta-nubank-passa-a-integrar-o-quadro-de-associados-da-febraban/
https://forbes.com.br/forbes-money/2025/12/nubank-acata-nova-ordem-do-bc-e-ira-pedir-licenca-bancaria-no-brasil-em-2026/
https://fastcompanybrasil.com/money/sob-pressao-do-banco-central-nubank-pode-virar-banco-em-2026/

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