O Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, acompanha de perto um movimento que tem ganhado força na construção civil brasileira: a migração crescente de obras residenciais e comerciais para sistemas de alvenaria estrutural, em substituição parcial ou total à estrutura convencional em concreto armado. O método, que utiliza blocos com função estrutural como elemento responsável por sustentar a edificação, deixou de ser visto como solução apenas para habitação popular e passou a ocupar espaço em empreendimentos de diferentes padrões.
Essa mudança de percepção tem relação direta com a pressão por produtividade que atinge o setor. Com prazos de obra cada vez mais apertados e custo de mão de obra qualificada em alta, construtoras buscam sistemas que reduzam etapas, simplifiquem a execução e mantenham previsibilidade de cronograma sem comprometer a segurança da edificação. A alvenaria estrutural responde diretamente a essa demanda.
O resultado é um cenário em que engenheiros e gestores de obra revisam projetos tradicionais para avaliar onde a alvenaria estrutural pode substituir, com vantagem técnica e econômica, soluções que antes eram praticamente automáticas. E entender os critérios corretos de escolha é o que separa uma obra eficiente de uma obra com retrabalho.
O que realmente diferencia um bloco estrutural de um bloco de vedação
Um dos erros mais recorrentes em canteiros de obra é tratar blocos estruturais e blocos de vedação como produtos intercambiáveis. Embora visualmente semelhantes, eles atendem a normas técnicas distintas e possuem resistências mecânicas muito diferentes. Enquanto o bloco de vedação tem como única função fechar vãos, o bloco estrutural é projetado para receber e distribuir cargas da edificação, respeitando parâmetros estabelecidos pelas normas NBR 6136 e NBR 12118 da ABNT.
A espessura da parede do bloco também determina o tipo de aplicação possível. Blocos mais finos, de 90mm, costumam ser limitados a edificações de um pavimento, enquanto blocos de 140mm e 190mm permitem construções de até cinco pavimentos quando corretamente especificados. Ignorar essa diferença na fase de projeto é um dos erros que mais geram patologias estruturais identificadas em vistorias técnicas.
Produtividade em obra: o argumento que convence construtoras
Além da questão estrutural, a alvenaria estrutural tem ganhado espaço por um motivo prático: ela reduz etapas de obra. Ao eliminar a necessidade de formas, fôrmas e parte da armação típica do concreto armado convencional, o sistema permite que equipes avancem com mais previsibilidade, reduzindo a dependência de mão de obra altamente especializada em determinadas etapas críticas.

Para o Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, esse ganho de produtividade só se sustenta quando vem acompanhado de rigor técnico na fabricação dos blocos utilizados. Um material fora de especificação compromete justamente a vantagem que motivou a escolha do sistema, gerando custos de correção que anulam a economia inicial.
Qualidade começa antes do canteiro de obras
Existe uma percepção equivocada de que a qualidade de uma obra em alvenaria estrutural depende apenas da execução em campo. Na prática, boa parte do resultado final é definida ainda na fase industrial, durante a fabricação dos blocos. Testes de resistência à compressão e absorção de água, realizados em laboratório próprio antes da entrega, são o que garante que o material chegue ao canteiro dentro dos parâmetros exigidos por projeto.
Esse tipo de controle é especialmente relevante em fábricas que atuam há décadas no setor, acumulando histórico de ensaios e ajustes de processo. É justamente esse acúmulo técnico que Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, costuma apontar como diferencial competitivo diante de fornecedores que entraram recentemente no mercado sem a mesma maturidade de processo.
Os desafios que ainda limitam a adoção em larga escala
Apesar das vantagens, a alvenaria estrutural ainda enfrenta resistência em determinados segmentos do mercado. Parte dela vem de equipes de projeto pouco familiarizadas com as particularidades do sistema, o que leva a especificações conservadoras demais ou, no extremo oposto, a escolhas inadequadas que geram problemas futuros. Falta, em muitos casos, capacitação técnica continuada para engenheiros e projetistas que migram do concreto armado tradicional, informa o Eng. Valderci Malagosini Machado.
Outro entrave é cultural: parte do mercado ainda associa alvenaria estrutural exclusivamente a empreendimentos de baixo padrão, ignorando que o sistema, quando bem dimensionado, atende a exigências de conforto, acústica e durabilidade compatíveis com padrões mais altos de construção. Romper essa associação é um trabalho de educação técnica que envolve fabricantes, projetistas e o próprio mercado incorporador. Nesse sentido, percebemos que a capacitação contínua de equipes de projeto é tão determinante para o avanço do sistema quanto a qualidade do material fornecido pela indústria.
O futuro da construção industrializada passa pela alvenaria estrutural
A tendência observada por especialistas do setor é clara: a construção civil brasileira caminha para modelos cada vez mais industrializados, em que a velocidade de execução e a previsibilidade de custo pesam tanto quanto a robustez estrutural. Nesse cenário, sistemas como a alvenaria estrutural deixam de ser alternativa de exceção e passam a integrar o planejamento desde a concepção do projeto.
Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, representa esse momento de maturidade técnica do setor: a convicção de que a qualidade industrial na fabricação dos blocos é a base sobre a qual se constrói qualquer ganho real de produtividade em obra. Acompanhar essa evolução é entender que o futuro da construção civil será cada vez mais definido antes do canteiro, dentro do controle de qualidade das fábricas que sustentam o setor.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez